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A voz das cambonas - do Brasil para o mundo

Fernanda Gabriela conta a história de sua criação entre os preceitos da Umbanda Cruzada e do Batuque Gaúcho a partir do olhar de quem assiste aos médiuns de incorporação e à terreira.


Fernanda Gabriela, autora do livro "Filhos de Fé", se diz "esteiense de coração e porto-alegrense de nascimento."


Tudo começou em Esteio (RS)


Quando Steven Engler, professor de Estudos Religiosos na Mount Royal University (Canada), ficou sabendo da campanha de financiamento coletivo para lançar o livro Filhos de Fé - histórias da terreira de minha avó, fez questão de apoiá-la e ressaltar a importância do espaço dado à visão de cambonos e cambonas.

"A voz d@s cambon@s é pouco presente na literatura. Este livro merece reconhecimento por trazer essa vozes ao público"

- Steven Engler.

Vozes vivas direto da terreira


No livro, a cambona Fernanda Gabriela representaria essa e outras inovações, contando a história de como foi criada em meio à Umbanda Cruzada e o Batuque Gaúcho em Esteio (RS). Sua narrativa se mescla à de sua avó e de sua mãe, ambas médiuns de incorporação e importantes figuras no contexto do livro.


Porém, de inovações, o professor Steven ainda não sabia. Além de prestigiar o ponto de vista de quem cumpre essa função - essencial em seções e práticas religiosas do terreiro -, o texto de Fernanda não pretende ser um manual, nem mesmo um mediador entre a experiência vivida e o conhecimento acadêmico.


Trata-se do bom e velho gênero relato, proposto como fio condutor da Coleção Viva Voz - um espaço para a recuperação de conhecimentos entendidos como populares, cuja formatação rompe as expectativas da ciência ocidentalizada. A edição de Filhos de Fé assume uma série de inovações linguístico-estilísticas, tais como a adoção da palavra "terreira" - do título ao corpo da obra.

" 'Terreira' não tem muita explicação... É como a gente fala aqui!"

- Fernanda Gabriela

Em live no canal de Instagram da editora, a autora justificou o uso da palavra em bom português. Decisões como os padrões de caixa alta e baixa também se basearam em intenções enunciativas negociadas durante o processo de edição.


"Lidar com relatos dessa maneira é um trabalho longo, que depende da atenção aos detalhes", conta Sabine Mendes Moura, editora responsável pela obra. "Queremos aprimorar nossa experiência com textos de não ficção, tendo como norte o respeito aos padrões intrínsecos a cada 'fala' que nos chegar."


Ao final da campanha de lançamento, o professor Engler recebeu seu Filhos de Fé e enviou nota à editora, informando que havia gostado do resultado. Este ano, o livro teve seu lançamento carioca na Festa Literária de Paraty (FLIP) e chegou a terras gaúchas com uma palestra da autora em Porto Alegre.


Participou, também, da Bienal do Rio e, agora, integra a campanha Cinco Livros para Viajar pelo Brasil, por meio do qual a editora pretende expandir sua distribuição e garantir doações a escolas e coletivos.


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